HAJA SOLIDARIEDADE COM QUEM PRECISA!

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”  
Martin Luther king
 
Nas horas difíceis é que se conhecem os amigos, aqueles que pensam e desejam o melhor para nós.
 
Nas horas de dificuldades é que a solidariedade faz fé, reconforta, encoraja e dá ânimo para se poder fazer face aos desafios do futuro.   
 
É nas horas menos boas que se espera de amigos (e conhecidos) um abraço, um gesto solidário; não é nas horas de bonança, gáudio e folgança. Nessas alturas a solidariedade tem outro cunho, outra expressão.
 
Sendo a Guiné-Bissau, kasa ku nô djunta (casa comum), incumbe-nos a todos, os fidjus di tera (filhos da terra), mais que quaisquer outros, empenhar-se, trabalhar, lutar para que não se desmorone como um castelo de areia. É neste capítulo que a intelectualidade, a classe pensante, deve manifestar-se porque têm substância para isso.
 
É verdade que em mais de 30 anos de independência, ainda não se pode dizer que conseguimos alcançar os objectivos mais elementares que qualquer cidadão almeja, segurança, paz, estabilidade e progresso, mas cada um de nós que vive o dia-a-dia deste país sabe que na origem da chamada “crónica instabilidade” ou “crises cíclicas” estão um conjunto de factores ou problemas mal resolvidos vindos da luta armada da libertação nacional. A Guiné-Bissau por ter sido palco da guerra de libertação, foi organizada de forma especial, tendo em consideração a especificidade de cada momento, cada etapa que se foi cumprindo ao longo da caminhada para a independência total, até aos dias de hoje. Obviamente, que fruto das diversas situações de guerra houve de tudo um pouco, quer do bom quer do mau.
 
É consenso geral de, estudiosos e observadores políticos atentos, que todos os males que se vive neste país resultam dos problemas gerados ainda durante o decorrer da luta de libertação, que não foram resolvidos, ou que, na tentativa de encontrar saídas airosas, foram simplesmente mal resolvidos. Dessa realidade não se pode fugir, deve-se sim, encará-la não obstante os pesares inerentes.
 
Não devemos deixar os monstros, aqueles que pensam mais nos seus umbigos, enterrarem a Pátria de Cabral, ACEITEMOS os desafios, tenhamos a coragem de ajudar a manter o legado do fundador das nacionalidades guineense e caqbo-verdiana. Não tenhamos VERGONHA de ser o que somos. Temos que lutar pelo que somos, contribuir dando o nosso melhor.

Por tudo isso, nesta altura em que a Guiné-Bissau está sob os olhos do mundo não pelas suas performances económicas, financeiras, ou outras afins, mas devido a situações não conformes a democracia, o silêncio dos cidadãos pesa sobre o país, contribui para emperrar ainda mais o processo de desenvolvimento que se deseja. Nesta altura em que muita gente parece não querer entender que os problemas deste país não podem, nem poderão um dia, ser resolvidos pela força, os cidadãos devem - ao invés de se remeterem ao silêncio contemplativo, tal como se verifica actualmente - falar, debater exaustivamente as questões da vida nacional porque, tal como disse Martin Luther King “no final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.”