Article posté le 29-07-2010
Com o objectivo de auscultar
as expectativas das comunidades locais em relação às recomendações saídas da
conferência nacional sobre indústrias extractivas, o Grupo de Trabalho sobre
Petróleo e outras Indústrias Extractivas na Guiné-Bissau (GTP-IE) promoveu no
fim-de-semana de 17 a 18 de Julho, um atelier de restituição sobre as recomendações
da conferência nacional das indústrias extractivas de Março de 2010.
O seminário realizado no centro da organização
camponesa Kafo, na povoação de Djalicunda, reuniu cerca de cinco dezenas de
pessoas provenientes na sua maioria das onze tabancas que se encontram nas
zonas seleccionadas para a prospecção de fosfato.
Durante o seminário, os participantes abordaram
diferentes temas apresentados pelos consultores nomeadamente, apresentação das
recomendações da conferência nacional sobre indústrias extractivas de Março
deste ano, apresentado pelo coordenador da Célula da Avaliação de Impacto
Ambiental (CAIA), Mário Biague; Os impactos negativos da exploração das indústrias
extractivas e a posição da União Internacional da Conservação da Natureza
(UICN), apresentado por Frederic Airaud da UICN; A visão do Grupo de Trabalho
sobre Petróleo e outras Indústrias Extractivas na Guiné-Bissau a fim de
permitir que a comunidade local possa defender os seus direitos e beneficiar da
exploração de fosfato, apresentado pelo Secretário Executivo da Fundação Suíça
para o Desenvolvimento (SWISSAID), Alfredo Handem.
Neste seminário os participantes tiveram a
oportunidade de ver o filme projectado sobre a biodiversidade do país,
intitulado “Bemba di Vida” onde se pode ver as riquezas florestais, marítimas,
entre outras, de que a Guiné-Bissau dispõe.
O presidente do Grupo de Trabalho sobre Petróleo
e outras Industrias Extractivas na Guiné-Bissau e igualmente coordenador do
Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP), Alfredo Simão da
Silva disse na cerimónia da abertura que depois de muitas divergências
verificadas entre o executivo e o seu grupo sobre a exploração dos recursos
mineiras do país, o executivo acabou por entender e pediu-lhes no sentido de se
juntarem para a organização de uma conferência nacional sobre indústrias
extractivas onde participaram técnicos nacionais e internacionais a fim de
encontrar as boas práticas para a exploração dos recursos mineiras da Guiné-Bissau.
Alfredo da Silva disse que a realização do
atelier visa apresentar ainda as comunidades locais os resultados saídos da
conferência nacional sobre indústrias extractivas e não só, como também ouvir
da parte das comunidades as suas expectativas em relação as recomendações.
Segundo o ambientalista, a ideia da restituição junto das comunidades não vai
acabar somente no sector de Farim, mas também, vão levá-la para diferentes
zonas do país onde se perspectiva a exploração de mineiros.
Informou por outro lado, que durante o atelier
os consultores vão demonstrar às comunidades “a forma de explorar o fosfato
direito e sem criar grandes problemas”, acrescentado que vão igualmente
apresentar os exemplos da exploração do fosfato nos países onde criou vários
problemas.
Presente no acto, o Secretário-geral do sector
de Farim, Bubacar Candé disse que a realização deste atelier no centro da
organização camponesa Kafo vai lhes permitir mais uma vez a oportunidade de
abordar a questão da exploração dos recursos mineiros da Guiné-Bissau e
sobretudo do fosfato de Farim.
Assegurou ainda que o único estudo credível
feito pelas instituições internacionais ligadas a exploração das minas sobre os
recursos minerais existentes no país é o fosfato de Farim, tendo acrescentado
ainda que em vários documentos que teve a oportunidade de apreciar confirmam a
existência do fosfato no solo de Farim.
Candé disse estar esperançado que a exploração do
fosfato vai ajudar muito no desenvolvimento da Guiné-Bissau, afirmou no entanto
que “não obstante este recurso mineral se encontra no território do sector de
Farim e isso não quer dizer que vai servir somente para a comunidade deste
sector, mas sim é o fosfato da Guiné-Bissau e vai ser usado para o bem-estar de
todo povo guineense”.
Para o primeiro secretário da mesa da Assembleia
Nacional Popular, deputado João Sediba Sané, a exploração do fosfato é muito
importante para a economia da Guiné-Bissau, particularmente para a localidade
onde vai ser tirado, realçando no entanto que “o mais importante ainda é ser
capaz de prevenir os possíveis prejuízos provenientes da exploração deste
mineiro”.
Sediba Sané vincou que a formação ministrada
pelas entidades conhecedoras desta matéria ajuda muito as populações para terem
a “noção clara”, como podem defender os seus direitos junto das empresas
exploradoras destes recursos e autoridades nacionais. |
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