Os resultados do primeiro recenseamento biométrico
dos funcionários públicos da Guiné-Bissau, hoje divulgados, apontam para a
existência de cerca de quatro mil “funcionários fantasmas”, num universo de
22,2 mil pessoas registadas como colaboradores do Estado.
Segundo o ministro da Administração Pública e
Modernização do Estado, Fernando Gomes, o recenseamento presencial e biométrico
permitiu ter uma análise mais pormenorizado das pessoas que trabalham, directa
e indirectamente, na função pública e aquelas que não possuem qualquer vínculo
com o Estado mas recebem vencimentos do erário público.
A análise permitiu constatar que 3.919 pessoas, que
se tinham recenseado como sendo funcionários públicos, de facto não eram
reconhecidos como tal, porque não tinham qualquer vínculo legal com o Estado,
frisou Fernando Gomes.
O governante destacou, porém, que esse número poderá
subir com a conclusão do processo do pagamento presencial de todos os funcionários
públicos, ainda por realizar em vários ministérios e departamentos do Estado
guineense.
Sem contar com os funcionários “fantasmas” já
detectados, o total dos que têm vínculo ao Estado guineense são 18.317 mil, dentre
as quais 12,4 são civis e 3,5 paramilitares. O recenseamento, hoje divulgado, não
inclui os efectivos militares, uma vez que estes já tinham sido recenseados em
2008. Na altura, os registos apontaram para a existência de 3440 militares.
Os dados hoje divulgados não incluem os titulares
de cargos públicos, porque estes não foram recenseados.
Segundo o ministro da Administração Pública, a
instituição é composta maioritariamente por indivíduos do sexo masculino, que
representam 69% do total, e 30% do sexo feminino, isto na parte civil. Entre os
paramilitares, 87% homens e 13% mulheres.
A média de idades dos trabalhadores com vínculo ao
Estado guineense situa-se entre os 40 e 50 anos. A idade média dos civis é dos
44 anos e a dos paramilitares é de 41.
“Curiosamente a Administração Pública é povoada por
gente solteira. Dos funcionários civis, 93% são solteiros e 97% dos
paramilitares também”, disse Fernando Gomes.
Factor de preocupação, segundo o ministro, é também
o grau insatisfatório de instrução dos efectivos, tanto civis como
paramilitares.
“Num total de 12,4 funcionários civis, assinalam-se
1.158 com curso médio, cerca de três mil que concluíram o liceu no país,
enquanto do lado dos paramilitares apenas 685 pessoas concluíram o 12º ano de
escolaridade”, frisou o ministro da Administração Publica guineense.
Com o ensino superior concluído existem 589 mestres
e 22 doutores, na parte civil, e 26 mestres e quatro doutores nos
paramilitares.