Os chefes de estado da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP) manifestaram a sua solidariedade com o povo guineense, bem
como com as autoridades legítimas da República da Guiné-Bissau, designadamente
com o Presidente Malam Bacai Sanha e com o Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior.
Ainda manifestaram solidariedade com “todos aqueles
que pugnam pela construção de um verdadeiro Estado de Direito Democrático e
pelo desenvolvimento económico e social”.
Relativamente aos acontecimentos do 1º de Abril os
chefes de Estado da CPLP recordaram que “constituíram um grave atentado à ordem
constitucional” e que de imediato foram objecto de uma condenação firme por
parte da CPLP, acabando por instar as autoridades guineenses competentes “a
resolver a situação dos detidos na sequência daqueles acontecimentos.” A CPLP,
na pessoas dos chefes de estado, reiterara “a necessidade de respeito pelo
princípio da submissão do poder militar ao poder político.”
Na declaração de Liuanda os chefes de estado “reafirmaram
que a consolidação de um clima de estabilidade e de segurança no País é factor
fundamental para a continuidade do diálogo com os parceiros internacionais
relevantes.”
No documento “acentuam ainda a necessidade de um
firme combate ao narcotráfico, também causa da instabilidade que afecta o País,
e manifestam o apoio ao correspondente programa nacional de luta contra aquele
tráfico.”
Por outro lado “reafirmaram o apoio da CPLP às
autoridades da Guiné-Bissau no diálogo político com os seus parceiros
internacionais, dado o seu empenho em prosseguir a reforma no Sector da Defesa
e Segurança e os programas e projectos inscritos no âmbito da estratégia
nacional de redução da pobreza e os que a Comunidade Internacional (Nações
Unidas, União Europeia, Instituições Financeiras Internacionais, Organizações
regionais e países doadores) vem aprovando e desenvolvendo, com vista ao reforço
da estabilidade política, da capacidade institucional do Estado e do
desenvolvimento socioeconómico.”
Neste sentido, segundo a declaração de Luanda, os
chefes de estado “consideraram crucial a participação da CPLP nas actividades
da Comunidade internacional, passando pelo reforço da actuação do Grupo de
Contacto (GICGB) em Bissau e em Nova Iorque, em estreita coordenação com a
CEDEAO, com a Comissão de Consolidação da Paz e o Representante Especial do
Secretário-Geral das Nações Unidas para a Guiné-Bissau.”
TIMOR-LESTE
Tendo em conta a especificidade do desenvolvimento
histórico em Timor-Leste, da sua situação geográfica e da sua integração na
CPLP, os chefes de estado “reiteraram a necessidade de esforços específicos de
aproximação da CPLP a Timor-Leste e reafirmaram a deliberação de estabelecer
uma Representação Permanente em Díli, cujo mandato deverá ser reformulado de
forma a conter, como elemento central, uma forte componente cultural e de apoio
à reintrodução da Língua Portuguesa, para além da componente política inscrita
no actual mandato”.
GUINÉ EQUATORIAL
Os chefes de estado da CPLP decidiram abrir negociações
para avaliar formalmente a adesão da Guiné Equatorial à organização.
Aquele país apresentara em 20904 a sua candidatura
a pretender ser não apenas observador mas membro de pleno direito da
Comunidade.
A declaração final da cimeira de Luanda, revela que
a CPLP decidiu elaborar um programa de reformas a apresentar ao presidente
Teodoro Obiang.
Esse plano requer não apenas a declaração do
português como língua oficial do país (o que foi feito há dias) mas medidas
para a sua utilização prática.
Ao contrário de todos os membros actuais da CPLP, a
Guiné Equatorial aplica a pena de morte e o seu governo é um frequentemente
criticado violador dos direitos humanos.
Na próxima reunião ministerial da CPLP, em data a
marcar, serão avaliados os progressos das negociações a conduzir por Angola,
novo país presidente da Comunidade.
O presidente Teodoro Obiang, que se apressou a sair
de Luanda, disse estar “optimista” apesar do adiamento e condicionamento da
admissão do seu país à CPLP. Mas também disse que esta cimeira “não foi” um
sucesso para a Guiné Equatorial.
Decidiram, ainda, manter em Cabo Verde a sede do
Instituto Internacional da Língua Portuguesa, e dar prioridade á divulgação do
português.