O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da
Guiné-Bissau, António Indjai, afirmou hoje que também está interessado no
esclarecimento da situação do seu antecessor, Zamora Induta, mas a decisão da
sua libertação ou não será da justiça.
Esta posição do tenente-general António Indjai foi
transmitida aos jornalistas pelo vice-presidente e porta-voz do Movimento da
Sociedade Civil a saída de uma audiência que mantiveram hoje com o chefe das
Forças Armadas guineenses.
“O chefe do Estado-Maior (das Forças Armadas) garantiu-nos
que a situação está a nível da justiça, mas que também ele pretende ver esta
situação esclarecida o mais breve possível”, afirmou Mamadu Queitá.
A delegação do Movimento da Sociedade Civil (plataforma
que reagrupa mais de 100 organizações) reuniu-se com o general António Indjai e
os seus colaboradores para lhes transmitir a posição de que os militares devem
submeter-se ao poder civil e não protagonizar mais situações que possam colocar
em causa a paz social.
“Manifestámos a vontade de ver o Chefe do Estado-Maior a
contribuir para a estabilidade político-institucional. Sabemos que os militares
foram responsáveis em várias situações de crise que assolaram o país. Toda a
chefia militar esteve presente no encontro. Todos manifestaram vontade de se
submeterem ao poder civil e de cumprir com a missão constitucional que têm”,
disse Mamadu Queitá.
“Outra situação que abordámos com o Chefe do Estado-Maior
foi a questão dos detidos, não só os do caso 1 de Abril, mas também os do caso
2 de Março (de 2009). Sobre estes fizemos ver que já lá vão mais de 12 meses
sem acusação formal. Manifestámos a nossa preocupação, queremos ver a situação
dessas pessoas definidas”, indicou o porta-voz do Movimento da Sociedade Civil
guineense.
“Constatámos que o Chefe do Estado-Maior está com vontade
de ver esclarecida a situação do Zamora Induta e de outros detidos”, frisou
Mamadu Queitá, lembrando que António Indjai disse que tudo terá que ser
decidido a nível da justiça.
O porta-voz da
sociedade civil afirmou que a organização pretende pedir uma audiência nos
próximos dias com o Procurador-geral da República, Amine Saad, para falar da
questão dos detidos.
“Desde o conflito armado de 1998, as Forças Armadas têm
sido os protagonistas das crises no país, obviamente que devemos chamar a
atenção dos seus responsáveis”, disse.
“A nossa exortação vai no sentido de chamar a atenção do
Chefe do Estado-Maior enquanto estiver à frente dos militares que paute o seu
comportamento no sentido de poder contribuir para que as Forças Armadas não
voltem a criar situações que coloquem em causa a paz e a estabilidade”, indicou
Mamadu Queitá, quando justificava o motivo da reunião com o general António Indjai.
Indjai foi o protagonista da intervenção militar de 1 de
Abril, que levou à deposição e detenção de Zamora Induta da chefia das Forças
Armadas e que continua detido desde então.
António Indjai foi entretanto nomeado chefe dos militares,
o que motivou críticas da comunidade internacional, nomeadamente dos EUA, que
anunciaram o fim do apoio à reforma do sector de defesa e segurança, e da União
Europeia, que manifestou a intenção de rever todos os acordos com a
Guiné-Bissau.
Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU pediu na semana
passada a libertação “imediata” de Zamora Induta. O presidente guineense, Malam
Bacai Sanhá, disse hoje em Campala, capital do Uganda, à margem da cimeira da
União Africana (UA), que Induta deve ser apresentado à Justiça.