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ANTONIO INDJAI DIZ QUE SITUAÇÃO DE ZAMORA INDUTA SERA DECIDIDA NA JUSTIÇA - 28-07-2010

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Article posté le 28-07-2010

O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António Indjai, afirmou hoje que também está interessado no esclarecimento da situação do seu antecessor, Zamora Induta, mas a decisão da sua libertação ou não será da justiça. 

Esta posição do tenente-general António Indjai foi transmitida aos jornalistas pelo vice-presidente e porta-voz do Movimento da Sociedade Civil a saída de uma audiência que mantiveram hoje com o chefe das Forças Armadas guineenses.

“O chefe do Estado-Maior (das Forças Armadas) garantiu-nos que a situação está a nível da justiça, mas que também ele pretende ver esta situação esclarecida o mais breve possível”, afirmou Mamadu Queitá. 

A delegação do Movimento da Sociedade Civil (plataforma que reagrupa mais de 100 organizações) reuniu-se com o general António Indjai e os seus colaboradores para lhes transmitir a posição de que os militares devem submeter-se ao poder civil e não protagonizar mais situações que possam colocar em causa a paz social. 

“Manifestámos a vontade de ver o Chefe do Estado-Maior a contribuir para a estabilidade político-institucional. Sabemos que os militares foram responsáveis em várias situações de crise que assolaram o país. Toda a chefia militar esteve presente no encontro. Todos manifestaram vontade de se submeterem ao poder civil e de cumprir com a missão constitucional que têm”, disse Mamadu Queitá.

“Outra situação que abordámos com o Chefe do Estado-Maior foi a questão dos detidos, não só os do caso 1 de Abril, mas também os do caso 2 de Março (de 2009). Sobre estes fizemos ver que já lá vão mais de 12 meses sem acusação formal. Manifestámos a nossa preocupação, queremos ver a situação dessas pessoas definidas”, indicou o porta-voz do Movimento da Sociedade Civil guineense. 

“Constatámos que o Chefe do Estado-Maior está com vontade de ver esclarecida a situação do Zamora Induta e de outros detidos”, frisou Mamadu Queitá, lembrando que António Indjai disse que tudo terá que ser decidido a nível da justiça. 
O porta-voz da sociedade civil afirmou que a organização pretende pedir uma audiência nos próximos dias com o Procurador-geral da República, Amine Saad, para falar da questão dos detidos.

“Desde o conflito armado de 1998, as Forças Armadas têm sido os protagonistas das crises no país, obviamente que devemos chamar a atenção dos seus responsáveis”, disse. 

“A nossa exortação vai no sentido de chamar a atenção do Chefe do Estado-Maior enquanto estiver à frente dos militares que paute o seu comportamento no sentido de poder contribuir para que as Forças Armadas não voltem a criar situações que coloquem em causa a paz e a estabilidade”, indicou Mamadu Queitá, quando justificava o motivo da reunião com o general António Indjai. 

Indjai foi o protagonista da intervenção militar de 1 de Abril, que levou à deposição e detenção de Zamora Induta da chefia das Forças Armadas e que continua detido desde então. 

António Indjai foi entretanto nomeado chefe dos militares, o que motivou críticas da comunidade internacional, nomeadamente dos EUA, que anunciaram o fim do apoio à reforma do sector de defesa e segurança, e da União Europeia, que manifestou a intenção de rever todos os acordos com a Guiné-Bissau. 

Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU pediu na semana passada a libertação “imediata” de Zamora Induta. O presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, disse hoje em Campala, capital do Uganda, à margem da cimeira da União Africana (UA), que Induta deve ser apresentado à Justiça. 

 

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