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ENCERRAMENTO DO ANO LECTIVO NA ALDEIA DE CHULAME - 21-07-2010

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Article posté le 21-07-2010

A União Estudantil dos Filhos e Amigos de Chulame (UNEFAC) realizou recentemente na escola desta aldeia que dista  doze quilómetros da cidade nortenha de Canchungo, a sua habitual celebração anual do fim do ano lectivo (2009 /2010), num ambiente de confraternização e de muita alegria entre estudantes de diferentes níveis, professores, pais e encarregados de educação.

Esta celebração marca o fim e consequente início de preparativos para mais uma etapa de estudos com maior reflexão sobre a forma de enfrentar e vencer a etapa seguinte, por parte de estudantes de diferentes faixas etárias e diferentes níveis do ensino tanto do primário quanto do superior.

Institucionalizada no senso comum da comunidade de Chulame desde o ano lectivo 2002/2003, como um dos maiores eventos que marcam a vida durante um ano nesta aldeia, a celebração do fim do ano lectivo é uma actividade que consegue reunir estudantes de origem local espalhados por diferentes estabelecimentos do ensino, do básico ao universitário, incluindo a presença de alguns quadros já formados, a darem a sua contribuição em diferentes instituições públicas e privadas para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.

É sempre uma oportunidade para o reencontro dos estudantes e quadros oriundos de Chulame, nesta celebração que carimba também, o início do período das férias para muitos, depois de um mergulho de nove ou mais meses nas actividades académicas, pedagógicas e laborais.

Simultaneamente, com a paragem temporária das aulas, a aldeia de Chulame ganha um novo fôlego tanto a nível familiar com a recomposição da estrutura quanto a nível social com várias actividades sob organização dos jovens reunidos essencialmente em duas associações locais, nomeadamente, “Bachulame Balemp” (Filhos de Chulame Trabalhadores, no dialecto Manjaco) que responde ao mais ínfimo pormenor pelo bem-estar dos habitantes em diferentes domínios, complementando-se com a União Estudantil dos Filhos e Amigos de Chulame, (UNEFAC) que se ocupa especificamente de assuntos dos estudantes, em termos de sensibilização, apoios moral e financeiro para continuarem empenhados nos estudos.

O regresso dos estudantes enche de alegria, os habitantes de Chulame, em que cada estrutura familiar vê reforçada a possibilidade de produzir mais no domínio da agricultura, com a contribuição de um ou mais membros da família que ganharam a oportunidade de restabelecer o contacto com a realidade local e com o ambiente familiar relativamente afastado durante as aulas.

A partir do acto da própria celebração do fim do ano lectivo, vigora em Chulame, um brio suscitado pela presença massiva dos estudantes que para além das actividades de apoio à produção agrícola, limpeza de lugares públicos e vias de acesso à diferentes zonas ou aldeias vizinhas, promovem actividades recreativas, incluindo perguntas da cultura geral a um nível ascendente, começando pelos aspectos concernentes à própria aldeia, ao Sector de Canchungo, Região de Cacheu, Província Norte, República da Guiné-Bissau, continente africano, bem como, aspectos que dizem respeito ao planeta em que vivemos.

São realizados também, concursos de poesias, canções variadas com mensagens cujo teor visa sensibilizar uns aos outros no sentido de manterem-se perseverantes e cada vez mais empenhados nos estudos, aprendendo também uns com os outros.

O futebol nutre igualmente, o período das férias em Chulame, através de campeonato de defeso que mobiliza não só os habitantes locais, mas também, jogadores e adeptos provenientes das aldeias vizinhas.

A aldeia de Chulame conta com quatro salas de aulas, uma do tempo colonial actualmente reabilitada e três construídas de raiz com uma biblioteca e um Centro de Saúde, graças ao financiamento dos emigrantes oriundos desta aldeia em colaboração com a maior associação local “Bachulame Balemp” que também garante subsídio aos professores.

Ainda em relação à Chulame, merece destaque, a contribuição positiva de Sérgio Mendes, filho de Chulame residente em Portugal há vários anos que já ofereceu equipamentos desportivos à equipa de futebol de Chulame várias vezes, apoiou jovens artistas de Chulame; equipamentos como microfones para animação em qualquer evento oficial ou lúdica, documentação para a identificação dos estudantes e filhos de Chulame em geral. Goza de um reconhecimento enorme à semelhança da madrinha da UNEFAC, Domingas Pachi Mendes e do Padrinho desta organização de estudantes, Paulo Mendes.

Ao usar da palavra na celebração do fim do ano lectivo 2009/2010, Sérgio Mendes disse ter orgulho de pertencer à aldeia de Chulame cujos filhos, segundo ele, merecem apoios para progredirem mais nos estudos e noutras áreas, manifestando-se satisfeito com o nível de português que é falado por estes estudantes.

De referir que o português foi a língua predominante da comunicação entre estudantes e demais personalidades presentes em Chulame, intercalando-se com o Francês e o Inglês, ao contrário do Manjaco que é o dialecto local e do Crioulo que constitui a ponte de comunicação quer entre cidadãos guineenses de diferentes etnias, quer entre guineenses e vários cidadãos estrangeiros.

Nas intervenções registadas nesta actividade presenciada tanto pelos anciões quanto pelos estudantes de Chulame e de outras aldeias vizinhas como Capual-Bajope (Balolé) e Bará, o presidente da Comissão Organizadora, André Vaz, o presidente dos estudantes de Chulame residentes em Bissau, Francisco Mendes, representado pelo seu vice-presidente, Luís Mendes, o presidente dos estudantes residentes em Chulame e Canchungo, Abril Mendes, falaram dos objectivos da UNEFAC no apoio moral e material para o avanço dos estudantes, importância da escola para cada pessoa ou comunidade, apelando que a escola seja preconizada por todos como prioridade número um, para garantir um futuro melhor com maior inteligência e recursos humanos qualificados para o desenvolvimento do país.

João Umpa Mendes

 

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