A União Estudantil dos Filhos e Amigos de Chulame
(UNEFAC) realizou recentemente na escola desta aldeia que dista doze quilómetros da cidade nortenha de
Canchungo, a sua habitual celebração anual do fim do ano lectivo (2009 /2010),
num ambiente de confraternização e de muita alegria entre estudantes de
diferentes níveis, professores, pais e encarregados de educação.
Esta celebração marca o fim e consequente início de
preparativos para mais uma etapa de estudos com maior reflexão sobre a forma de
enfrentar e vencer a etapa seguinte, por parte de estudantes de diferentes
faixas etárias e diferentes níveis do ensino tanto do primário quanto do
superior.
Institucionalizada no senso comum da comunidade de
Chulame desde o ano lectivo 2002/2003, como um dos maiores eventos que marcam a
vida durante um ano nesta aldeia, a celebração do fim do ano lectivo é uma
actividade que consegue reunir estudantes de origem local espalhados por
diferentes estabelecimentos do ensino, do básico ao universitário, incluindo a
presença de alguns quadros já formados, a darem a sua contribuição em
diferentes instituições públicas e privadas para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.
É sempre uma oportunidade para o reencontro dos
estudantes e quadros oriundos de Chulame, nesta celebração que carimba também,
o início do período das férias para muitos, depois de um mergulho de nove ou
mais meses nas actividades académicas, pedagógicas e laborais.
Simultaneamente, com a paragem temporária das
aulas, a aldeia de Chulame ganha um novo fôlego tanto a nível familiar com a
recomposição da estrutura quanto a nível social com várias actividades sob
organização dos jovens reunidos essencialmente em duas associações locais,
nomeadamente, “Bachulame Balemp” (Filhos de Chulame Trabalhadores, no dialecto
Manjaco) que responde ao mais ínfimo pormenor pelo bem-estar dos habitantes em
diferentes domínios, complementando-se com a União Estudantil dos Filhos e
Amigos de Chulame, (UNEFAC) que se ocupa especificamente de assuntos dos
estudantes, em termos de sensibilização, apoios moral e financeiro para
continuarem empenhados nos estudos.
O regresso dos estudantes enche de alegria, os
habitantes de Chulame, em que cada estrutura familiar vê reforçada a
possibilidade de produzir mais no domínio da agricultura, com a contribuição de
um ou mais membros da família que ganharam a oportunidade de restabelecer o
contacto com a realidade local e com o ambiente familiar relativamente afastado
durante as aulas.
A partir do acto da própria celebração do fim do
ano lectivo, vigora em Chulame, um brio suscitado pela presença massiva dos
estudantes que para além das actividades de apoio à produção agrícola, limpeza
de lugares públicos e vias de acesso à diferentes zonas ou aldeias vizinhas,
promovem actividades recreativas, incluindo perguntas da cultura geral a um nível
ascendente, começando pelos aspectos concernentes à própria aldeia, ao Sector
de Canchungo, Região de Cacheu, Província Norte, República da Guiné-Bissau,
continente africano, bem como, aspectos que dizem respeito ao planeta em que
vivemos.
São realizados também, concursos de poesias, canções
variadas com mensagens cujo teor visa sensibilizar uns aos outros no sentido de
manterem-se perseverantes e cada vez mais empenhados nos estudos, aprendendo
também uns com os outros.
O futebol nutre igualmente, o período das férias em
Chulame, através de campeonato de defeso que mobiliza não só os habitantes
locais, mas também, jogadores e adeptos provenientes das aldeias vizinhas.
A aldeia de Chulame conta com quatro salas de
aulas, uma do tempo colonial actualmente reabilitada e três construídas de raiz
com uma biblioteca e um Centro de Saúde, graças ao financiamento dos emigrantes
oriundos desta aldeia em colaboração com a maior associação local “Bachulame
Balemp” que também garante subsídio aos professores.
Ainda em relação à Chulame, merece destaque, a
contribuição positiva de Sérgio Mendes, filho de Chulame residente em Portugal
há vários anos que já ofereceu equipamentos desportivos à equipa de futebol de
Chulame várias vezes, apoiou jovens artistas de Chulame; equipamentos como
microfones para animação em qualquer evento oficial ou lúdica, documentação
para a identificação dos estudantes e filhos de Chulame em geral. Goza de um
reconhecimento enorme à semelhança da madrinha da UNEFAC, Domingas Pachi Mendes
e do Padrinho desta organização de estudantes, Paulo Mendes.
Ao usar da palavra na celebração do fim do ano
lectivo 2009/2010, Sérgio Mendes disse ter orgulho de pertencer à aldeia de
Chulame cujos filhos, segundo ele, merecem apoios para progredirem mais nos
estudos e noutras áreas, manifestando-se satisfeito com o nível de português
que é falado por estes estudantes.
De referir que o português foi a língua
predominante da comunicação entre estudantes e demais personalidades presentes
em Chulame, intercalando-se com o Francês e o Inglês, ao contrário do Manjaco
que é o dialecto local e do Crioulo que constitui a ponte de comunicação quer
entre cidadãos guineenses de diferentes etnias, quer entre guineenses e vários
cidadãos estrangeiros.
Nas intervenções registadas nesta actividade
presenciada tanto pelos anciões quanto pelos estudantes de Chulame e de outras
aldeias vizinhas como Capual-Bajope (Balolé) e Bará, o presidente da Comissão
Organizadora, André Vaz, o presidente dos estudantes de Chulame residentes em
Bissau, Francisco Mendes, representado pelo seu vice-presidente, Luís Mendes, o
presidente dos estudantes residentes em Chulame e Canchungo, Abril Mendes,
falaram dos objectivos da UNEFAC no apoio moral e material para o avanço dos
estudantes, importância da escola para cada pessoa ou comunidade, apelando que
a escola seja preconizada por todos como prioridade número um, para garantir um
futuro melhor com maior inteligência e recursos humanos qualificados para o
desenvolvimento do país.
João Umpa Mendes