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Entrevista
“GUINÉ-BISSAU NÃO É UMA FÁBRICA DE DROGAS” - PRESIDENTE MALAM BACAI SANHÁ - 27-06-2010

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Article posté le 27-06-2010

No poder desde Setembro passado, após vencer as eleições em Junho, o Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, pretende dar uma imagem positiva ao seu país, considerado placa giratória do tráfico internacional de drogas. Concedeu-nos uma entrevista no seu palácio, na Praça de Bissau.

Guerra de generais, instalação de grandes traficantes de drogas, pobreza endêmica, economia fraca... Os desafios do novo presidente da Guiné-Bissau são enormes. Os traficantes latino-americanos fizeram do seu país uma placa giratória do seu comércio para a Europa, muitas vezes com a cumplicidade do exército. Com 1,5 milhões de habitantes, a Guiné-Bissau é um dos estados mais pobres do mundo. Castanha de caju, que representa 60% da renda nacional, é dos seus poucos recursos, e os investidores estrangeiros são escassos. Chegou democraticamente ao poder após eleições sem incidentes, Malam Bacai Sanha prometeu relançar o país. Onde está esse enorme trabalho?

Afrik.com:

A sua chegada à testa da Guiné-Bissau foi saudada pela comunidade internacional. Isso torna a gestão do país mais fácil?

Malam Bacai Sanhá: Quando chegamos à frente do país em Setembro passado, nós pensávamos relançar tudo. Mas a realidade é outra. Há muitos problemas para superar... Democracia na Guiné-Bissau é uma realidade. Aqui nós temos uma democracia participativa. A prova é que temos mais de 40 partidos políticos. Sempre tivemos eleições pacíficas e transparentes. Mas não conseguimos desenvolver o país.

Afrik.com:

Guiné-Bissau é regularmente apresentada como placa giratória do tráfico internacional de drogas. Talvez seja esta a causa dos seus problemas de desenvolvimento...

Malam Bacai Sanhá: Eu não concordo que se diga que a Guiné-Bissau é placa giratória do tráfico de drogas. O tráfico de droga está em toda a parte. As pessoas falam mal do nosso país. A droga dá uma má imagem no exterior, especialmente nas nossas relações com outras nações. Guiné-Bissau não é um local de fabricação de drogas. Apenas passa aqui para a Europa e a América, que são os nossos parceiros.

Afrik.com:

No entanto, segundo várias fontes, a droga é uma realidade aqui e os nomes de alguns dos seus próximos são citados...

Bacai Sanhá: Nós queremos que o mundo saiba que é criminoso aqui em Bissau, quem são os traficantes de drogas. Soubemos na imprensa, através do Departamento de Estado americano no Senegal, que alguns funcionários estão implicados no tráfico de drogas. Mas até então, nada o prova. Queremos que nos forneçam as provas, que nos ajudem a fazer o nosso trabalho, porque estamos conscientes de que não há desenvolvimento possível com traficantes de drogas.

Afrik.com:

Que soluções prevê, para parar este flagelo?

Malam Bacai Sanhá: Queremos que o mundo nos ajude a combater esse mal. Os cartéis da droga são muito poderosos, têm meios. Um país isolado, como a Guiné-Bissau tem dificuldades para fazer face a esse flagelo. Da mesma forma que nós lutamos para o desenvolvimento, estamos a lutar contra os traficantes de drogas. Mas não é fácil.

Afrik.com: Em Abril passado o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, foi detido algumas horas pelos militares antes de ser libertado. Falou-se de uma tentativa de golpe de Estado. O que é que se passou exatamente?

Malam Bacai Sanhá: Não. Foi apenas um acidente trágico entre as chefias militares nas casernas que perturbou o país algumas horas. Não foi uma tentativa de golpe. Mas eu acho que este será o último incidente deste tipo. Este país não merece isso. Merece melhor. Este tipo de situação é a consequência da pobreza que afecta o país. O nosso principal inimigo é a pobreza. Nós faremos todos os esforços para derrotá-lo.

Afrik.com:

Qual é a sua luta para salvar este país que se afunda a cada dia que passa?

Malam Bacai Sanhá: A minha ambição é deixar algo de positivo no final do meu mandato. As pessoas podem esperar de mim a estabilidade, progresso e desenvolvimento. Pretendemos construir hospitais, escolas, abastecimento de água e electricidade para as pessoas. Temos muitos problemas. Nós lutamos para o bem-estar de nosso povo. E vamos ser bem sucedidos.

In Afrikcom

 

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