No poder
desde Setembro passado, após vencer as eleições em Junho, o Presidente da Guiné-Bissau,
Malam Bacai Sanhá, pretende dar uma imagem positiva ao seu país, considerado
placa giratória do tráfico internacional de drogas. Concedeu-nos uma entrevista
no seu palácio, na Praça de Bissau.
Guerra de
generais, instalação de grandes traficantes de drogas, pobreza endêmica,
economia fraca... Os desafios do novo presidente da Guiné-Bissau são enormes.
Os traficantes latino-americanos fizeram do seu país uma placa giratória do seu
comércio para a Europa, muitas vezes com a cumplicidade do exército. Com 1,5
milhões de habitantes, a Guiné-Bissau é um dos estados mais pobres do mundo.
Castanha de caju, que representa 60% da renda nacional, é dos seus poucos
recursos, e os investidores estrangeiros são escassos. Chegou democraticamente
ao poder após eleições sem incidentes, Malam Bacai Sanha prometeu relançar o país.
Onde está esse enorme trabalho?
Afrik.com:
A sua chegada à testa da Guiné-Bissau foi
saudada pela comunidade internacional. Isso torna a gestão do país mais fácil?
Malam Bacai Sanhá: Quando chegamos à frente do país
em Setembro passado, nós pensávamos relançar tudo. Mas a realidade é outra. Há
muitos problemas para superar... Democracia na Guiné-Bissau é uma realidade.
Aqui nós temos uma democracia participativa. A prova é que temos mais de 40
partidos políticos. Sempre tivemos eleições pacíficas e transparentes. Mas não
conseguimos desenvolver o país.
Afrik.com:
Guiné-Bissau é regularmente apresentada como
placa giratória do tráfico internacional de drogas. Talvez seja esta a causa
dos seus problemas de desenvolvimento...
Malam Bacai Sanhá: Eu não concordo que se diga que a
Guiné-Bissau é placa giratória do tráfico de drogas. O tráfico de droga está em
toda a parte. As pessoas falam mal do nosso país. A droga dá uma má imagem no
exterior, especialmente nas nossas relações com outras nações. Guiné-Bissau não
é um local de fabricação de drogas. Apenas passa aqui para a Europa e a América,
que são os nossos parceiros.
Afrik.com:
No entanto, segundo várias fontes, a droga é uma
realidade aqui e os nomes de alguns dos seus próximos são citados...
Bacai Sanhá: Nós queremos que o mundo saiba
que é criminoso aqui em Bissau, quem são os traficantes de drogas. Soubemos na
imprensa, através do Departamento de Estado americano no Senegal, que alguns
funcionários estão implicados no tráfico de drogas. Mas até então, nada o
prova. Queremos que nos forneçam as provas, que nos ajudem a fazer o nosso
trabalho, porque estamos conscientes de que não há desenvolvimento possível com
traficantes de drogas.
Afrik.com:
Que soluções prevê, para parar este flagelo?
Malam Bacai Sanhá: Queremos que o mundo nos ajude a
combater esse mal. Os cartéis da droga são muito poderosos, têm meios. Um país
isolado, como a Guiné-Bissau tem dificuldades para fazer face a esse flagelo.
Da mesma forma que nós lutamos para o desenvolvimento, estamos a lutar contra
os traficantes de drogas. Mas não é fácil.
Afrik.com: Em Abril passado o primeiro-ministro,
Carlos Gomes Júnior, foi detido algumas horas pelos militares antes de ser
libertado. Falou-se de uma tentativa de golpe de Estado. O que é que se passou
exatamente?
Malam Bacai Sanhá: Não. Foi apenas um acidente trágico
entre as chefias militares nas casernas que perturbou o país algumas horas. Não
foi uma tentativa de golpe. Mas eu acho que este será o último incidente deste
tipo. Este país não merece isso. Merece melhor. Este tipo de situação é a
consequência da pobreza que afecta o país. O nosso principal inimigo é a
pobreza. Nós faremos todos os esforços para derrotá-lo.
Afrik.com:
Qual é a sua luta para salvar este país que se
afunda a cada dia que passa?
Malam Bacai Sanhá: A minha ambição é deixar algo de
positivo no final do meu mandato. As pessoas podem esperar de mim a
estabilidade, progresso e desenvolvimento. Pretendemos construir hospitais,
escolas, abastecimento de água e electricidade para as pessoas. Temos muitos
problemas. Nós lutamos para o bem-estar de nosso povo. E vamos ser bem
sucedidos.